Eu sempre odiei fins. Desde criança. Eu nunca entendi o sentido dos términos. O por quê de coisas que eu gosto acabarem. Mas, ironicamente, com relação ao ano, o fim é a minha parte favorita. Eu até me encanto com o início. Confesso que há uma certa beleza em criar listas de metas e há algo de divertido em pular as sete ondas. Só que para mim, o fim de ano sempre é a melhor parte dele. Talvez seja a energia, o espírito de natal, a caridade ou esse sentimento de renovação, sabe?

Por coincidência, esse ano foi um de muitos términos. Foi o ano em que eu terminei a faculdade. O ano em que eu perdi a minha vó. Ano em que tomei coragem e botei muitos pontos finais. Foi um ano de separação entre o novo e o velho. Foi o ano em que eu deixei muito de mim pra trás. E que, também, me autoconheci como nunca. Foi o ano em que eu cresci, amadureci e, pasmem, me tornei uma pessoa otimista. E apesar desses muitos fins, esse ano oportunizou muitos começos.

Tiveram momentos em que eu chorei desesperada sem saber o que fazer. Em outros, eu tive medos internos prontos para explodirem. Tiveram muitos dramas também. Mas houve momentos de paz interna. De tranquilidade. De se estar bem. Houveram muitos momentos de felicidade. De aceitação. De acreditar na mudança. Tiveram momentos de oração e de fé. E, assim, mesmo depois de todos os fatos terríveis que nos assombraram esse ano, eu consegui enxergar aprendizados lindos. Eu consegui ver o lado positivo de cada coisa negativa. E isso é conhecimento.

E este ano foi repleto dele. Eu aprendi a viver mais. A não perder tempo. A experimentar – e como eu experimentei. Aprendi que sou mais forte do que pensava e que eu tenho a obrigação de acreditar em mim. Aprendi a me olhar com outros olhos. Aprendi a me aceitar. Eu aprendi a ser amiga. A dar conselho. A rir do meu erro. E, assim, eu me tornei um pouco psicóloga. Eu que sou cheia de crises, psicóloga.

Acreditem, ter um ano como esse, repleto de aprendizados não significa que foi o ano da autossuficiência. Eu ainda sinto falta de uma amiga importante que conheci na faculdade. Ainda penso em coisas do passado. Ainda choro no banho. Ainda tenho medo de perder os meus pais. Ainda vejo que eu erro muito. E ainda bem. Eu estou aprendendo. Estou crescendo. E isso é irreversível.

Eu ainda não sei o que a vida significa e continuo sem entender os muitos términos dela. Mas tudo bem. Sério. De verdade. Por que agora eu consigo enxergar que não importa o motivo do término ou fim, o importante mesmo é a oportunidade que ele traz. Oportunidade de algo novo acontecer. E a certeza que se algo termina, não significa fracasso, significa apenas que algo melhor está por vir. E vem. Confia.

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