Tem mesmo. Tudo de bom. E tudo de ruim. Eu nunca fui sozinha. Aliás, eu apareci para acabar com a solidão dela. Três longos anos de sossego, atenção exclusiva e caçula da casa, arruinados pela minha chegada. Não é por nada, mas ainda bem que eu cheguei. Porque apesar das nossas brigas – e eram muitas – tudo se tornou bem mais divertido tendo uma cúmplice.

Confesso que ter um irmão é uma droga. Se for irmã, é pior ainda. Você pensa em mil maneiras de mata-la. Faz planos de como esconder o corpo ou então apela para solicitar aos seus pais que a coloquem para a adoção. A tal adoção. Quem tem irmão com certeza lembra do papo estranho de que ele ou você era adotado. Ou, então, encontrado na lata do lixo. Não que adoção seja algo horrível, mas era o golpe mais baixo para nossas mentes infantis.

Acontece que ter irmão é viver um roteiro de novela mexicana. Com direito a ameaças cruéis intituladas de “se não fizer isso, eu vou contar” e revelações dos seus segredos mais profundos. Não se engane, seu irmão é a criatura mais ardilosa que pode existir. Se ele tiver a oportunidade de te expor, ele o fará. Irmão é bicho ruim. Irmão não presta.

Apesar dos pesares, irmão também é coisa boa. É salvador. É ombro amigo. E, principalmente, é confidente. Afinal, quem seria a fonte dos seus segredos, que ele, dedo duro, conta para os seus pais? A gente sempre acredita no irmão. Não importa o quão mau caráter ele seja. Irmão é tanta coisa que só tendo alguém tão insuportável assim para saber o quanto seria estranho passar por tudo sozinho.

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