Já cantarolava Gilberto Gil no meio de muitos abraços. A mensagem é boa. É clara. É concisa. Assim como o fato certeiro de que o Rio de Janeiro continua lindo. Assim, também, como a certeza de que a gente nunca sabe como os outros sentem. E nunca vamos saber. Na verdade, até que essa é a graça. Acredite: ninguém tem a responsabilidade de entender e sentir como você.

O ser humano é complicado, logo, relacionamentos também. Existem pessoas que acreditam que é sempre amor mesmo que acabe ou mude. E existe outro tipo que acredita que se é amor nunca muda e nunca acaba. Quanto a mim? Bem, eu acho complicado delimitar regras e, ainda mais, se ater a elas. A vida é um campo amplo de oportunidades para se fixar a padrões. Padrões são a maior burrice inventada, desfrutada e cultuada pela humanidade. Não se encaixar a quaisquer que sejam eles é sinônimo de anomalia. Com licença sociedade, mas não. Não é. É sinônimo de excentricidade. Quer coisa mais normal do que ser diferente.

Por isso, eu volto a dizer: a gente nunca sabe como os outros sentem. É egocentrismo demais acreditar que sua dor é maior que a minha. Que seu amor é mais intenso e, quem sabe, até maior que o dele. Que as suas vivências, experiências e mancadas são tão mais espertas que as dos outros. As pessoas são diferentes, seus sentimentos são diferentes, assim como, suas expectativas. Ninguém tem a responsabilidade de suprir as minhas, as suas ou as dos outros. A gente apenas é responsável pelo o que sente e, também, pelo modo como lida com as nossas expectativas. A vida é assim mesmo: dura. A própria Clarice Lispector sussurrou uma vez “a vida é um soco no estômago”. É pesada essa frase, mas, ao mesmo tempo, é real.

Assim, eu não espero muita coisa dessa vida. Ser bem resolvida, com certeza, não está entre elas. Mas eu também não ligo para quem já me esqueceu. Porque eu quero mesmo é me desesperar por nada. Eu quero chorar adoidada. Eu quero fazer errado. Eu quero até correr para a minha mãe de vez enquando. Eu quero fazer coisas das quais vou me arrepender. Eu quero pegar o ônibus errado, mas nem sempre porque isso é um saco. Eu também quero contar da minha vida para amigos. Contar da minha vida para estranhos. Beijar quem eu amo na rua. E beijar quem eu não amo também. Eu quero andar de mãos dadas. Eu quero brigar por causas que nem são minhas. Eu quero fazer todos os tópicos da minha lista. Porque sim, eu tenho uma. Eu quero errar para aprender. Eu quero é crescer. Quero crescer mesmo quando estiver velha. Afinal, a vida é isso: aprendizagem. E esta é uma das poucas coisas na vida que você vai poder dizer: ainda bem que eu fiz errado.

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